Crítica | Ataque dos Cães

Depois de um longo hiato, a diretora Jane Campion volta, com precisão e elegância, trazendo esse drama de western exclusivo da Netflix.

No filme, acompanhamos a história de Phil Burbank, um fazendeiro durão que passa a travar uma guerra psicológica com a nova noiva do irmão e seu filho, até que segredos do passado vêm à tona e mudam tudo.

A fotografia é pensada com tanto esmero que, em certo ponto do filme, quase se torna uma personagem. Claro que, pelo fato de ser filmado na Nova Zelândia, a paisagem natural facilita as coisas. Os planos abertos e a paleta de cores trazem uma sensação de imensidão, que chega a ser opressora e ao mesmo tempo bela.

O trabalho do elenco é fenomenal. Benedict Cumberbatch entrega um personagem que parece uma bomba relógio, que se sabe que vai explodir, mas não se sabe como. Kirsten Dunst traz fragilidade e medo para uma personagem que, a princípio, parece forte mas vai derretendo como um castelo de gelo. Outro destaque para Kodi Smit-Mcphee, que, com muita estranheza e ambiguidade, diz muito apenas com detalhes da linguagem corporal. Chega ao ponto de o desfecho do filme depender da interpretação de sua atuação (fica a dica).

O roteiro tem um ritmo bem lento e deixa momentos-chave da história subentendidos. Realmente há pontos da trama que poderiam, ao menos aparentemente, ser retirados sem prejudicar tanto a evolução da história. Mas é bom lembrar que boa parte do enredo está nos detalhes, então vale o “esforço”.

Ataque de Cães é esplêndido e sutilmente brutal.

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