Crítica | A todo vapor

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Sabemos que muitos brasileiros torcem o nariz para produções nacionais, sejam porque muitas tem baixo orçamento, outras não são tão boas assim (isso acontece com qualquer produção de qualquer país), e muitos outros por puro preconceito mesmo. Porém, em terras tupiniquins há muito ainda a ser explorado, e, dessa vez, vírgula, a exploração atual é a série A todo vapor, produção presente no catálogo da Amazon Prime Video.

A série A todo vapor, criada por Felipe Reis e Eneias Tavares, traz uma premissa diferente do que estamos acostumados: personagens de clássicos brasileiros convivendo em um Brasil steampunk. Para quem já conhece as obras de Eneias Tavares, principalmente o universo do Brasiliana Steampunk, essa série é um prato cheio de referencias e descobertas.

Sinopse: Na primeira temporada, os detetives paulistanos Juca Pirama e Capitu Machado vão a Vila Antiga dos Astrônomos para investigar uma série de crimes rituais. Para os ajudar, os heróis do Parthenon Místico são chamados, entre outras presenças ilustres que incluem a misteriosa viúva Aurélia Camargo, o padre Eugênio Guimarães e o ambicioso industrial Henry McHell. No centro desse mistério, os arcanos do tarô e uma seita profana envolvendo Pamu o Venerável!

A série tem oito episódios em sua primeira temporada, e nos traz grandes personagens tentando resolver um crime misterioso, que pode ter alguma relação com magia negra. Logo no primeiro epispodio somos apresentados a Juca Pirama (Felipe Reis) e Capitu Machado (Thais Barbeiro), dois investigadores que vão até a Vila Antiga dos Astrônomos para investigar uma série de crimes assustadores. Juca tem um jeitão bem malandro e despojado, que consegue parecer natural e causar divertimento ao telespectador. Já Capitu, eu achei um pouco rígida demais, mesmo que sua origem seja envolta em mistério (traiu ou não traiu?), essa Capitu não me empolgou tanto.

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Capitu

Vendo que os crimes não seriam facilmente solucionados, a dupla pede ajuda a outros membros de um seleto grupo de investigação: Vitória Acauã (Pamela Otero), Dr. Benignus (Luiz Carlos Bahia), Bento Alves (Claudio Bruno) e Sérgio Pompeu (Pedro Passari).

 

Comecei falando um pouco das atuações mas vou me delongar um pouco mais aqui. Nos dois primeiros episódios, as atuações parecem ser mecânicas demais, com pouca naturalidade, algumas beirando ao decoreba e outras ao caricato. Porém, a partir do terceiro episódio tive a sensação que os atores conseguiram se adaptar melhor aos seus personagens, convencendo melhor com a atuação. Um detalhe a se ressaltar é que eu gostei demais dos personagens de Vitória Acauã e Juca Pirama, sendo os que mais gostei de ver em tela.

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Juca Pirama e Vitória Acauã

A série foi bem gravada e soube usar das locações usadas para criar aquele clima retrô que uma produção steampunk merece, com figurinos diferenciados e objetos estranhos presentes nesse estilo de obra. Os personagens clássicos são muito bem caracterizados em suas vestimentas, e uma personagem ‘real’ que aparece logo rouba a atenção de quem gosta de uma boa poesia – vou guardar segredo para que assistam a série. Os efeitos especiais não conseguem, na maioria das vezes, se inserir de forma fluida nas cenas, ficando bem evidentes que o são, mas, com o passar dos episódios, vamos nos acostumando com toda a atmosfera criada em A todo vapor.

Não esperem grandes efeitos especiais ou grandes cenas de ação nessa série, já que A todo vapor tem baixo orçamento, mas saibam que A todo vapor entrega uma história muito bem amarrada, onde, a cada episódio vemos uma pequena parte do caso sendo resolvida, desvendando aos poucos o quebra cabeça que envolve tantas mortes na pequena Vila Antiga dos Astrônomos. A história é bem fechada em si e dá um ótimo gancho para uma possível segunda temporada, além de nos instigar a querer saber mais sobre esse universo.

Não favoritei a série como gostaria, mas acredito que todos que gostam desse universo steampunk ou de um bom clássico nacional devam dar uma chance para A todo vapor. Quem sabe teremos uma segunda temporada com um orçamento maior??

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Webcomic A todo vapor

E, para quem já viu e quer saber mais sobre o universo do autor Eneias Tavares, clique aqui para descobrir. 

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