Crítica | Lassie: A Força do Coração (1943)

A Lassie é um daqueles animais icônicos do cinema, para quem não lembra o belo exemplar da raça Rough Collie foi heroína de muitos filmes e séries de TV. Para vocês terem uma ideia a série teve nada menos que dezenove temporadas. O primeiro longa-metragem em que a dedicada cadela aparece é este Lassie Come Home ou A Força do Coração (1943), dirigido por Fred M. Wilcox para a MGM.

O casal Knight e seus cães.

Primeiro de uma franquia de sete filmes da MGM estrelados por Lassie, o filme é uma adaptação fiel do livro de Eric Knight. O autor britânico publicou seu livro com o mesmo título em 1940, mas infelizmente não conseguiu ver o resultado da adaptação para o cinema, ele morreu em janeiro de 1943 em um acidente de avião no Suriname, em meio a uma missão rumo à África, servindo como major dos EUA. Knight e sua esposa tinham uma fazenda na Pensilvânia, onde criavam cães, incluindo, claro, collies. O personagem Lassie é baseado em seu cachorro Toots. O canandense Hugo Butler (As Aventuras de Huck) adaptou a história para o filme.

A Força do Coração era a estreia de Fred McLeod Wilcox como diretor para a MGM, estúdio que trabalhava desde 1933, como publicitário e assistente técnico. Com um filme que agradou crianças e adultos, Wilcox se firmou no estúdio, levando a consegui produzir filmes mais caros, como o Planeta Proibido (1956).

SINOPSE: Depois que sua família desamparada é forçada a vendê-la, uma collie chamada Lassie escapa de seu novo proprietário e começa a longa caminhada da Escócia até sua casa em Yorkshire.

Situada na Inglaterra, a narrativa é sobre o vínculo de amizade e lealdade entre uma cadela e um garoto. Com um elemento que antagoniza a amizade, o conflito entre a razão e a emoção. O fim dos anos 1930 é retratado, período difícil para muitos e a pobreza é abordada dentro de que a única riqueza de uma família era um belo exemplar da raça collie. E é nesse aspecto social, que a separação entre Collie e Joe ocorre  quando o cachorro é vendido ao rico duque de Rudling e segue para o norte da Escócia. Com a ajuda da filha do duque, Lassie escapa e viaja centenas de quilômetros para se reunir com o garoto. Ao longo do caminho, Lassie supera o perigo com a ajuda de estranhos prestativos numa aventura interessante, muito bem escrita e que apresenta cenas memoráveis.

Lassie Come Home é considerado um triunfo na história do estúdio e do cinema. A cadela superava o Rin-Tin-Tin e renderia, como já tratamos, uma franquia de sucesso. Mas esse sucesso ocorreu principalmente graças à sua cinematografia Technicolor e ao seu elenco de primeira linha.

Elenco

Roddy McDowall (1928-1998)

Roddy McDowall, estrelou como o garoto Joe Carraclough, então com 15 anos, tinha já terminado três filmes naquele ano (O Pequeno Refugiado, Abandonados e Minha amiga Flicka), o que ajudou em muito a estabelecer McDowall como um ator infantil popular e levá-lo ao filme da MGM.

Donald Crisp, recém-saído de seu papel em Como Era Verde o Meu Vale, Oscar de Melhor Filme em 1942, interpretação que o levou a ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Interpretando o pai do garoto no filme, Crisp era conhecido por trabalhar nos dois lados da câmera como ator e diretor em sua carreira, ajudando a direção em muitos casos. Em Lassie Come Home, retrata a complexidade de um pai rigoroso, mas amoroso.

O ator britânico Edmund Gwenn (1877–1959) com o cão Pal, que interpreta Lassie.

Edmund Gwenn, que iria ganhar um Oscar três anos depois como Papai Noel em De Ilusão Também se Vive (1947), como o simpático senhor que ajuda a cadela a continuar. Gwenn se especializou em papéis de idosos gentis, mas excêntricos.

May Whitty (1865–1948) e Ben Webster (1864–1947) com Lassie (Pal)

Com 77 anos, a renomada atriz do teatro, May Whitty, já nomeada ao Oscar por Night Must Fall (1937) e Mrs. Miniver (1942) contracenava com seu esposo, Ben Webster, veterano ator do Cinema Mudo, em seu último papel no cinema, interpretando um casal de idosos amorosos que ajudam a Lassie.

Donald Crisp e Elsa Lanchester (1902–1986)

Elsa Lanchester, eternamente imortalizada como a personagem-título de arrepiar os cabelos em Bride of Frankenstein (1935), aqui interpretando a mãe de Joe.

Nigel Bruce (1895 –1953) com a jovem Elizabeth Taylor.

Nigel Bruce, fez uma pausa no seu papel recorrente como Watson em vários filmes de “Sherlock Holmes”, foram em 14 filmes, aparece como o Duque de Rudling.

Elizabeth Taylor assinava seu primeiro contrato, ela receberia US $ 100 por semana; o cão Pal, que interpretou Lassie, por outro lado, recebia $ 250!

Uma promissora Elizabeth Taylor, já deslumbrante aos 11 anos, como Priscila, a filha do duque de Rudling. Esse papel foi originalmente concedido a Maria Flynn, uma jovem atriz que já havia atuado ao lado de McDowall. Entretanto, Flynn tinha crescido mais que McDowall e teriam que fazer uma reformulação na produção. O produtor Samuel Marx lembrou-se de uma conversa com um velho amigo da guerra, Francis Taylor, e entrou em contato com ele sobre sua jovem filha, uma aspirante a atriz. Depois de uma breve cena improvisada, Elizabeth foi escalada para o papel.

Lassie

Quando a maioria das pessoas pensa em um Collie, o cachorro que provavelmente vem à mente é a lendária Lassie. Estrela de cinema, televisão, romances, desenhos animados e histórias em quadrinhos, Lassie se tornou um nome familiar e um ícone importante na cultura pop americana. O filme catapultou Lassie ao estrelato, mas a personagem (que significa “garota” em escocês) seja uma cadela dentro dos papéis da série e do cinema, o cachorro que interpretou foi um brilhante ator canino chamado Pal (1940-1958).

O cão assumiu o papel, após um problema com o elenco canino.  Os cineastas insistiram em uma cadela para desempenhar o papel, de modo que os candidatos ao sexo masculino foram relegados a assumir dublês de cenas. E foi aí que entrou o jovem macho de três anos, Pal, que teve um desempenho tão bom que, pelos atrasos nas filmagens, o colocaram no papel principal. Mas o fato de ela ser realmente ele era mantido em segredo pelo departamento de publicidade da MGM.

O proprietário e treinador do cão, Rudd Weatherwax, empregou uma grande variedade de técnicas para convencê-lo a se apresentar para a câmera. Brinquedos e guloseimas pendurados de maneira tentadora, fora das câmeras, ajudaram a concentrar a atenção do animal nas direções certas, e bolas de borracha foram presas às maçanetas para dar a impressão de que o cachorro estava abrindo portas. Pal conseguiu pelo treinamento exprimir sentimentos de alegria, frustração, dor e amor brilhantemente, apresenta uma performance surpreendente.

Análise

A Força do Coração é um filme simples e o enredo é basicamente sobre uma cadela voltando para casa, para o seu dono que ela realmente ama. Não há complexidade, pois se concentra no amor duradouro entre Lassie e Joe. Uma aventura canina, fugas de canis, a incrível jornada de volta da Escócia para casa em Yorkshire, com um ótimo elenco e um cenário incrível, garantido pela fotografia de Leonard Smith, que foi indicada ao Oscar. Uma música que ajuda a compor a atmosfera melancólica do retorno e a alegria de sua chegada. A MGM não esperava ter o sucesso que teve, pois Lassie Come Home, era um filme de meia temporada. Mas a narrativa agradável e comovente, mais as características já apresentadas, torna esse filme uma maravilhosa e emocionante história de aventura que qualquer um que adora cães desfrutará. Mesmo após tantos anos, ainda arranca umas lágrimas, e de todos os filmes de cachorros feitos, ele ainda permanece o melhor. Um clássico que merece um olhar atual, quem sabe carregue um pouco de solidariedade aos dias de hoje.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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