Uma breve análise dos Homem-Aranha no cinema

Precisamos falar sobre o Tobey, o Andrew e o Tom…

 

Quem me conhece ou que acompanha o site sabe que o Homem-Aranha é meu personagem ficcional favorito desde quando eu aprendi a ler. Sua força de vontade, que nem de longe é inabalável, seu compromisso advindo de um forte sentimento de culpa e sua capacidade de entender que embora tenha poderes incríveis a inteligência é seu maior dom me conquistaram desde jovem e posso afirmar sem medo de ser piegas que ele ajudou a moldar o homem que eu sou hoje. Mas embora ele seja amado por muitos outras pessoas no mundo inteiro o cinema parece sofrer um pouco para conseguir representá-lo na tela grande. Por que isso acontece?

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Antes de mais nada é preciso deixar claro que nós nunca veremos o Homem-Aranha dos quadrinhos em um filme por um motivo muito simples: Não existe um Homem-Aranha dos quadrinhos, existem VÁRIOS. O aranha meio inocente e que vivia em uma constante novela mexicana em seu background é diferente do aranha mais depressivo e com aventuras mais pé no chão do Tom deFalco que é diferente do aranha mais profundo e sombrio do J. M. DeMatteis, que é diferente do aranha mais místico do Straczynski que é muito diferente do aranha divertidão e descolado do Brian Michael Bendis. Cada autor tenta transformar aquele mesmo Peter Parker e adequá-lo aos tempos ao qual ele está sendo escrito. É óbviamente impossível falar de todas estas facetas em 2 horas, entretanto todas elas são verdadeiramente Homem-Aranha e estão marcadas na memória dos fãs.

 

O primeiro Homem-Aranha, dirigido por Sam Raimi foi o primeiro filme que eu assisti no cinema, e foi também o primeiro ao qual eu me preocupei em procurar notícias sobre. Seu sucesso se deveu ao fato de o diretor conseguir levar pras telas o novelão de Stan Lee e do Tom DeFalco com uma ação incrível para a época. Destaque para o segundo filme que é para mim até hoje o meu filme de super-heróis favorito. Ainda assim os filmes pecam ao matar todos os vilões que apareceram (menos o Homem Areia, que não faria falta nenhuma…), o design dos Duendes Verdes e a falta de piadas durante as lutas, algo marcante na época. Acredito que os roteiristas não acreditavam no fato de que o público aceitaria a ideia de que aquele personagem introspectivo viraria um comediante de stand-up ao por a máscara…

 

Com o fracasso da produção do quarto longa a Sony fez Andrew Garfield vestir a máscara do cabeça de teia. Vindo de alguns filmes indies e com uma atuação elogiada no excepcional A Rede Social, ele veio com a promessa de dar mais qualidade na interpretação de Peter, enquanto o diretor Marc Webb quis fazer um aranha cheio de poses que nem os desenhos do Todd McFarlane e do Mark Bagley, com seus aranhas esguios, embora super musculosos e suas posições de perna digno de professores de Yoga. É engraçado então que eles resolveram extrapolar os conceitos do universo ultimate de um aranha menos travadão e o fizeram um cara hipster, com problemas com os tios e que anda de skate. O resultado foi de que embora o público em geral tenha aceitado mais aquele personagem os fãs o consideraram uma afronta. Soma-se a isso dois roteiros fracos e justificasse o porque de a Marvel querer rebootá-lo quando teve chances…

 

Hoje quem está se pendurando em teias por ai é Tom Holland. A Mavel, com o seu cuidado de fazer alterações nos personagens mas sem descaracterizar sua alma já estabeleceu que desta vez Peter desenvolveu não só o lançador mas sua própria teia (até hoje acho que o Garfield roubava a teia da Oscorp…), mas que também é um menino de 15 anos e é nerd. Isso, somado a competente direção tanto das cenas de ação quanto no diálogo com Tony Stark em Capitão América: Guerra Civil nos faz esperançosos pelo futuro dele. Ainda que eu ache que a Marvel vá sim fazer um excelente trabalho é preciso ter em mentes que ele ainda não será um aranha que nem nos quadrinhos por que isso é impossível. Espero que ao menos ele seja um aranha que ensine às crianças que grandes poderes vem com grandes responsabilidades.

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