Rebobinando – Uma Mente Brilhante

“O que eu sinto por você não precisa ser provado, apenas existe. ”

O ser humano possui diversas qualidades e defeito que o diferem um do outro. Essa nossa característica torna a vida divertida porque cada novo encontro, cada nova pessoa que cruza nosso caminho têm uma infinita quantidade de possibilidades, podendo ser com um humor, A, B ou C. O que rege qual destes tipos de pessoas teremos que lidar na vida são as inflexíveis, porém justas, leis matemáticas da probabilidade. John Nash, famoso matemático ganhador do prêmio Nobel, foi uma das pessoas que mais lidou com isso. Não só pelo seu trabalho, mas também porque, em termos comuns, ele deu muito azar. É sobre a vida desta mente complexa que se trata um dos melhores filmes deste século. Uma Mente Brilhante.

A Beautiful Mind

Como dito, o filme segue a vida de Nash (interpretado com brilhantismo por Russel Crowe). Matemático brilhante, ele rapidamente começa a ganhar prestigio na sociedade. Porém, como acontece em toda grande história, sua vida muda quando um agente da CIA o oferece um alto cargo para desvendar um código de encriptação que os soviéticos estariam usando para se comunicar dentro dos EUA. Acontece que este agente pode não ser quem nós pensamos inicialmente.

 

Falar deste filme sem entrar na zona de spoilers é impossível. Se você não assistiu o filme, de uma conferida e volte aqui depois.

 

A primeira característica que chama a atenção no roteiro é em como o filme muda de tom após descobrirmos que não só o agente, interpretado por Ed Harris, como vários personagens mostrados na trama são frutos da cabeça do protagonista. Saindo de um filme com toques suspense de espionagem para, na segunda metade, mergulharmos em um drama de autodescobrimento e uma excelente história de amor. O filme, se dirigido com preguiça, poderia cair simplesmente na infinita lista de cinebiografias com cara de filme para a TV, mas Ron Howard, o diretor, emprega uma estética singular ao longa. O visual sempre foi o forte do diretor, que também realizou outras obras sensacionais como Apollo 13, Rush ou Frost/Nixon. Sua parceria com o roteirista Akiva Goldsman por todos estes anos deu a eles um senso de colaboração incrível. É quase como se o diretor tivesse escrito o filme também, de tão intrínseco é a ligação entre texto e imagem.

uma mente brilhante jennifer

Outros pontos a serem destacados no longa são sua trilha sonora e a maquiagem. A trilha pontua bem cada momento, te fazendo rir quando temos que rir, entristece quando tem que entristecer, e possui uma música tema inesquecível. A maquiagem consegue envelhecer os atores sem estragar suas performances, principalmente de Jennifer Connely (que venceu o Óscar por este filme). Mulher de Nash, ela é o verdadeiro fio condutor da história. É ela que consegue mostrar ao protagonista, e a nós, que é possível lutarmos contra os nossos demônios interiores, ainda que eles pareçam tão sedutores. (Tanto os personagens de Harris quanto de Paul Bettany mostram que Nash, por ser um cara meio tímido, queria ser notado. Ao “derrota-los”, ele consegue a atenção do mundo). É ela o coração e o link que todo drama tem que ter com os seus expectadores.

 

Uma Mente Brilhante é um daqueles filmes feitos para te fazer se sentir pra cima. Sua direção visualmente marcante, sua edição e principalmente seu roteiro faz com que ele seja algo a mais, o filme se torna universal e, portanto, eterno. Todos nós temos nossos problemas coom o qual temos que lidar todos os dias, afinal.

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