REBOBINANDO – MISSÃO IMPOSSÍVEL

Este é o Monte Everest dos Hacks…

 

Brian de Palma é, ao lado de Martin Scorcese, George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola, um dos fundadores da “nova Hollywood”, seu trabalho em clássicos como Carrie: A Estranha e Os Intocáveis marcaram seu nome como um dos diretores mais influentes da história. Sua visão singular de como se construir suspense usando-se de planos longos e poucas interferências em cenas tensas deu a ele o apelido de “diretor Voyeur”, pois faz com que o expectador se sinta um intruso, como se estivéssemos escondidos no local da ação. Este estilo mais pé no chão em nada casava com os filmes de espionagem da época. Mas ai ele dirigiu Missão Impossível.

missão impossível

Em 1995 as aventuras do James Bond alcançavam um nível a mais de loucura com GoldenEye. Com o sucesso do filme era de se esperar que o gênero de espionagem voltaria com força. Mas de Palma conseguiu dar a sua pitada de genialidade dirigindo o primeiro filme da franquia Missão: Impossível. O roteiro em muitos aspectos lembrava a megalomania de um 007 com seus gadgets tecnológicos e sua ação super elaborada, mas o diretor gravou estas cenas com a mesma sobriedade que fez os tiroteios de Os Intocáveis. A ação era simplesmente irreal, mas parecia palpável, parecia factível. Todo mundo se lembra da cena de Tom Cruise pendurado em uma corda tentando realizar um audacioso roubo não apenas pelos efeitos visuais usados, mas sim  pela tensão que a cena passa. Isso separa uma grande cena de ação de uma boa cena de ação.

Tom Cruise pendurado

Outra coisa que auxilia no “realismo” do filme são as atuações. Tom Cruise e principalmente Jon Voight dão a seus personagens uma carga emocional e dramática que faz o expectador comprar o filme logo na cena de abertura, uma operação de uma equipe de espiões da IMF que acaba em fracasso com quase todos mortos, cabendo apenas à um dos agentes, Ethan Hunt (Cruise) descobrir quem sabotou a missão e limpar seu nome, já que ele se tornou o suspeito número 1. Tom Cruise parece ter nascido para o papel, suas poses heroicas e semblante sério e pouco emocionado casa com seu porte físico naquilo que Hollywood convencionou como o espião perfeito (se bem que acho que nem espiões de verdade correm com tamanha desenvoltura…).

 

É interessante perceber como a franquia soube perceber como a autoria de seu diretor se tornou o diferencial do filme. Posteriormente todos os filmes tem diretores distintos com marcas distintas (o voyeurismo de de Palma, a ação cheia de malabarismo e pose de John Woo, o nerdismo de J. J. Abrams, a atenção com emoções e subtramas de Brad Bird e a ação corpo a corpo de McQuarrie). Ainda assim, se tem algo que permeou todos os filmes posteriores, além dos apetrechos tecnológicos e de Tom Cruise, é a trilha sonora. E eu aposto que quando você leu o título do filme aqui tratado ela já veio a mente…

fotografia missão impossível

Missão: Impossível ajudou a criar a nova safra de filmes de espionagem que vemos hoje, com os 007 pós Cassino Royale, Bourne, Kingsman e até mesmo Capitão América: O Soldado Invernal… Tudo isso porque os produtores souberam pegar um roteiro divertido, mas que segue a lógica dos filmes do gênero com suas necessidades de reviravoltas desconcertantes e ação empolgante, e dar na mão de um diretor com marca própria. Uma lição que pode ser usado em muitos filmes que virão e tirar Hollywood do marasmo de seus filmes ctrl c ctrl v.

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