Rebobinando – Forrest Gump: O Contador de Histórias

Corra Forrest
Corra, Forrest, corra!
Quando se pensa nos maiores diretores da história do cinema nomes como Stanley Kubrick, Martin Scorcese, Steven Spielberg entre outros diretores que fizeram carreira no cinema ocidental rapidamente vem à mente. É engraçado pensar que Robert Zemeckis, diretor que definiu muita coisa no cinema de Hollywood com clássicos eternos como De Volta Para o Futuro, Náufrago ou Uma Cilada Para Roger Rabbit, geralmente é deixado de lado. Talvez isso se deva ao fato de que muitos de seus filmes sempre tenham um lado “pipoca” muito presente. E existe uma camada de expectadores que acham que um filme não pode ser bom e divertido ao mesmo tempo. Forrest Gump é uma prova de que isso não é bem verdade.
Olhando por cima, o filme tem uma sinopse para ser um daqueles dramas que faz com que quem o assista saia aos prantos do cinema: Forrest Gump é um homem com deficiência mental que está indo de encontrar com uma velha amiga. Enquanto espera o ônibus, ele conta a história da sua vida para as mais diferentes que passam ao seu redor. Aos poucos, percebemos que aquele homem atravessou algumas das décadas de maior efervescência cultural da história dos Estados Unidos, mas graças a suas dificuldades cognitivas não percebe a importância daqueles momentos.
Como disse, na mão de muitos diretores este roteiro poderia virar um drama mais sóbrio (compare com O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher. O filme tem o mesmo roteirista mas tons completamente distintos), mas Zemeckis lança uma alta dose de “magia do cinema” e fez um filme que, acima de tudo, diverte muito. O bom humor no filme serve não só apenas para fazer o filme ficar mais comercial e fácil de assistir, mas permite que diversos assuntos fortes, como o movimento Hippie, a Guerra do Vietnã, o aparecimento da AIDS e o preconceito com os deficientes mentais sejam abordados sem cair no lugar comum.
Outro ponto legal a ser abordado no filme é a atuação de Tom Hanks. Ele, que havia vencido o Oscar um ano antes com Filadélfia, venceu com este filme seu segundo homenzinho dourado em um papel que, mesmo após vários outros igualmente emblemáticos, ainda mostra do que ele é capaz em termo de atuação. Ainda que o filme seja um daqueles que privilegia muito o trabalho corporal do ator (E a academia adora quando um ator consegue se transformar fisicamente para um papel) é perceptível que há muito mais em Forrest Gump que apenas um cara com olhar perdido.
Por fim, Forrest Gump figura fácil em qualquer lista de top 50 filmes da história. Se você já assistiu, garanto que agora está vindo a sua cabeça a versão do filme de como se deu o escândalo de WaterGate, a invenção da Apple e outros momentos brilhantes. Se não viu, corra leitor, corra! 🙂
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