REBOBINANDO – BELEZA AMERICANA

Lester
“E o que você vê?
Beleza.”

O cinema indie americano tem muito a agradecer aos subúrbios deste país. Os filmes que contam os “problemas de classe média” ganharam muita importância no final do século passado. E eis que surgiu um cara que queria fazer seu primeiro filme, cujo qual única experiência com direção havia sido com teatro. E em seu primeiro filme ganhou 5 oscars…. Um filme que iria definir muita coisa para os filmes dramáticos que viriam a seguir. Um filme belo.
Lester Burnham é um típico homem de classe média americana. Trabalhava muito, era infeliz no casamento, não se dava bem com a própria filha, mas mesmo assim fazia de tudo para manter as aparências. Tudo isso muda quando ele conhece uma amiga de sua filha, pela qual se apaixona e, por ela, começa a realmente viver o sonho americano.

sonho

Tudo isso poderia soar simplório, e na mão de um diretor comum resultaria num filme enfadonho e comum. Mas Sam Mendes não é um diretor comum. A forma como ele consegue trabalhar a psique de Lester, magistralmente interpretado por Kevin Spacey, utilizando de sarcasmo na narração em off para demonstrar a arrogância do personagem, bem como ser o alivio cômico de um filme com temas pesados. A fotografia belíssima, com destaque para a cena do choro de Carolyn, esposa de Lester, ao não conseguir vender uma casa, é um outro atrativo forte do filme. Vale a pena observar como a paleta de cores vai evoluindo à medida que a trama avança.

Poster

E no meio de personagens “rasos” entre aspas, porque uma análise desatenta do filme pode até indicar para que todos os personagens do filmes sejam bidimensionais, mas dentro do formato do roteiro isto funciona. A normalização das ações dos personagens serve para criticar todos aqueles que viviam nesta situação. Era a época pré 11 de Setembro, onde todos queriam mostrar que tudo era bonito, mesmo que esta não seja a realidade. Todos passam por isso, exceto um. Ricky Fitts. Este personagem é quem faz a trama ter sentido por um motivo simples. Ele é o artista, ele é o que vê a beleza nas coisas simples e frívolas da vida e ia contra os padrões da sociedade. É ele que, sendo o estranho, pode iluminar a estranheza e mediocridade dos personagens. Ricky Fitts é um dos meus personagens favoritos da história do cinema. A cena da filmagem da sacola plástica é memorável não só pelo seu sentido, mas pelo seu diálogo.
E desta forma Beleza Americana, um filme que tinha tudo para ser mais um, conseguiu se manter como um clássico moderno pela qualidade técnica do filme e pela coragem de querer ser inteligente de forma velada, mostrando a feiura do universo com belas imagens.

Ricky Fitts

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