Rebobinando – Airplane! (Apertem Os Cintos… O Piloto Sumiu!)

Quando o “politicamente correto” ainda não estava tão em alta e as pessoas não ficavam se mordendo por qualquer piadinha que era feita em filmes e afins, os anos 80 nos proporcionou diversos filmes de comédia no-sense – contendo várias sátiras de outros filmes que, provavelmente, gerariam polêmicas absurdas nos tempos atuais.


Airplane! (ou “Apertem Os Cintos… O Piloto Sumiu!”, em português) foi – se não – o primeiro e mais famoso longa a dar um “ponta pé” numa enxurrada de comédias oitentistas. Dirigido e escrito por Jim Abrahams e pelos irmãos David e Jerry Zucker (também responsáveis por outros grandes sucessos da Sessão da Tarde como Top Secret! e Corra Que A Policia Vem Aí).

O filme conta a história de Ted Striker, um ex-combatente de guerra não condecorado, que adquiriu um “problema com bebidas” e possui um trauma de voar, mas embarca em um avião para ir atrás de seu grande amor, Elaine. Durante o voo, os pilotos acabam passando mal por conta de uma comida estragada, o que os deixa impossibilitados de pilotar. Na ocasião, Ted – sendo o único passageiro com experiência de voos – se vê obrigado a superar a sua fobia e precisa pousar o avião em segurança para salvar a todos. 

Assisti a esse filme há muito tempo, quando ainda era uma criança, e achei bem engraçado (mesmo sem entender muito bem as piadas e as referências, rs). Já agora, estando eu um pouco mais velho, me deparo com um Nerdoffice (do Jovem Nerd) falando desse filme em um “Top 10 de Filmes com Aviões”… Logo eu, curioso, assisti novamente (tanto a versão legendada como a versão dublada), e posso dizer que as duas versões são muito boas. Porém, o filme possui muitas piadas que, na língua inglesa, acabam se perdendo na dublagem (desde já, deixo esclarecido aqui que reverencio a dublagem brasileira, aproveitando também para ressaltar que o dublador do nosso querido Leslie Nielsen se chama Márcio Seixas – também dublador dos personagens Batman e Spock). Mas, ainda assim, não tira o mérito da nossa dublagem que teve que suar para adaptar os diálogos.
Apesar do longa ser reconhecido pelo estilo “besteirol”, ele possui piadas muito inteligentes. Além de satirizar vários filmes como Airport e Os Embalos de Sábado a Noite, os diretores se utilizam de uma comédia no-sense para criar situações extremas – como uma aeromoça acalmando os passageiros e depois perguntado se algum deles sabe pilotar um avião, por exemplo… Ou, ainda, um piloto automático que é um boneco de posto (hahaha!). A obra também retrata piadas envolvendo crianças (sim, estou falando da menina que gosta de café preto como seus homens… por favor, não me processem, pois isso está no filme!) que, provavelmente, seria censurada nos dias atuais – algo que eu, particularmente, acho um desperdício, pois deixou o filme muito mais engraçado.

Sendo assim, acredito que os produtores – apesar de fazerem uma comédia satirizada – pensaram muito bem em como construir o roteiro e os diálogos, fazendo com que as piadas não ficassem simplesmente “forçadas” ou fossem “jogadas aleatoriamente”. Por conta disso, pode-se dizer que esse detalhe define o melhor do filme (já que ele não precisou apelar para nada!).

Outro ponto positivo que posso citar são as atuações (Leslie Nielsen, estou falando de você!), pois, em momentos extremamente sérios, nota-se o profissionalismo excepcional do ator que – mesmo interpretando um idiota – consegue manter a seriedade o tempo inteiro no decorrer da comédia (sentiremos falta de atores como você, com essas piadas que, para mim, são as melhores!). Suas feições durante o filme  também são impagáveis (vale dizer isto da cena em que a aeromoça precisa inflar o piloto automático pela “mangueira” e nosso querido Nielsen pega os dois no “flagra”, haha!).

Enfim, é isso aí, galera! Recomendo que vejam e revejam esse filme em sua versão original, pois vale muito a pena assistir a esta obra prima referente a comédia oitentista. Vale ainda ressaltar que dificilmente vocês conseguirão encontrar uma comédia tão bem escrita, carregada de piadas no-sense (que, ainda assim, não deixam de ser inteligentes e muito bem colocadas), se comparada com o que há hoje em dia, onde o “politicamente correto” é quase que uma lei (sei que soou meio estranho, mas é isso mesmo!).
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