Hype Curiosidades | E se estivermos vivendo em uma Realidade Simulada?

Vimos esta temática ganhando muita atenção na virada deste século no cinema, onde com o alto crescimento tecnológico nos ajudou a criar esta pergunta que agora retornou as mentes dos jovens nerds: Será que vivemos numa realidade simulada?

Acredito que o primeiro contato ou ideia de uma realidade simulada surgiu lá na Grécia Antiga, no conto “O Mito da Caverna” de Platão. Nesta história, que inclusive ganhou uma ilustração de Mauricio Meirelles (A Turma da Mônica) com uma crítica social incrível, nos mostra pessoas que cresceram dentro de uma caverna e que o único contato que tiveram com a vida foi através de sombras que eram projetadas dentro da mesma. Quando um indivíduo do mundo exterior convida uma destas pessoas para ver o que há fora da caverna, a pessoa se espanta e se emociona com tudo o que vê. Ao retornar e contar aos outros, os que ainda estavam lá dentro não acreditam e julgam aquele por estar vivendo numa ilusão e não de fato a verdadeira realidade.

REALIDADE SIMULADA

De certo modo é um tanto irônico e não podemos empregar o ditado “ver para crer”, porque aquelas pessoas estavam vendo e por mais que as sombras fossem um detalhe mínimo e simples do que elas poderiam estar vendo fora da caverna, a falta de questionamento e uma inserção tão profunda naquilo que elas acreditavam ser realidade fizeram com que elas passassem mais da metade da vida lá dentro.

Além deste conto, na religião Hindu e Budista temos essa crença de que estamos sim, vivendo numa realidade simulada. Como a própria filosofia diz: “apenas o absoluto pode ser considerado a realidade, sendo todo o restante ilusório.” O Hinduísmo ao longo de vários séculos produziu diversas metáforas para explicar ao ser de outra crença como funciona esta ilusão e temos a seguinte história: “Estamos na floresta a noite e sozinhos. Começamos a sentir medo diante da escuridão, do vazio e da possível ameaça diante do desconhecido. Subitamente, vemos no chão algo parecido a linhas enroscadas. Pensamos rapidamente: é uma cobra! E saímos correndo de lá, sem nem sequer olhar mais atentamente. Se por acaso retornássemos ao local posteriormente, veríamos que não se tratava de uma cobra, mas de uma corda enrolada no chão deixada por alguém. Mas diante do desconhecido, a mente pode produzir delírios com base no medo e na apreensão inconscientes diante da realidade. Consideramos a aparência como sendo real. Isso é Maya, a ilusão. ”

Num conceito mais breve e resumido, o hinduísmo e budismo recitam a filosofia que a vida humana é uma ilusão, que os homens estão presos a falsos valores e a um falso credo e que somente reconhecendo esta ilusão e indo atrás da busca da luz da consciência, que o homem se libertará de maya.

REALIDADE SIMULADA

A ciência não ficou para trás neste tema também. Há muitas teorias astrofísicas explicando um conceito de realidade simulada, mas muitas acabam sendo muito complexas ou até mesmo algo muito à frente de nosso tempo. Uma de minhas teorias favoritas é sobre o dejà-vu que, apesar de não haver prova concreta, acredita-se que sensações como essa seriam falhas no sistema que controla essa situação de simulação, permitindo que as mentes tivessem plena consciência de fatos antes de seu ocorrido. Ou seja, o dejà-vu seria uma forma de prever seu futuro programado dentro do seu inconsciente. O uso eficaz desta teoria vemos no filme Matrix, e lá a explicação e sentimento de empatia fortalecem com o público tendo um “plot twist”.

Vale citar também um grande homem da tecnologia que tem uma grande crença neste ramo de realidade simulada: Elon Musk. Ano passado, o filantropo participou de um painel de conferência sobre tecnologia, o Recode Code Conference e respondeu uma pergunta de um fã relacionado a este tema. Musk fala que as possibilidades de NÃO estarmos numa realidade simulada são de uma em um bilhão e argumenta dando um exemplo muito bom:

Imagina a quarenta anos há atrás. O que tínhamos de mais avançado em vídeo games era o Pong. Hoje falamos de jogos foto realísticos. Olha o quanto avançamos em poucos anos. Imagina agora o quanto avançaremos em dez mil anos. É mais do que provável que conseguiremos criar uma realidade simulada indistinguível da nossa. É muito provável que uma civilização mais avançada que a nossa já tenha feito isso e nós hoje estamos vivendo esta realidade. Na verdade, eu espero que isso seja verdade, porque de outra forma, se a civilização parar de avançar é porque houve um evento calamitoso que varre a civilização. Então, talvez devêssemos esperar que isso seja uma simulação, porque ou criaríamos simulações indistinguíveis da realidade ou a civilização pararia de existir. Das duas uma.”

Parece um pouco confuso, mas o que ele acredita é que vivemos numa espécie de The Sims, onde uma civilização mais avançada que a nossa nos controla, nos dá um destino individual para cada um e cria uma “ilusão de escolha” em nossas mentes. E caso isso não exista, quer dizer que as chances de algo catastrófico acontecer com a humanidade e extinguir de vez nossa espécie ainda são altas.

REALIDADE SIMULADA

Com tantas teorias e crenças, de certo modo podemos dizer que o homem quer estar numa realidade simulada ou simplesmente sente a necessidade de estar por um breve período de tempo. Vamos supor você que gosta de ler livros de ação, aventura, romance, etc, consequentemente você acaba imergindo naquele mundo fantasioso do livro e acaba se pondo naquela aventura, como se você fosse o personagem principal ou apenas você mesmo, mas vivendo aquela realidade. E esta mesma atitude inofensiva que nos faz dar uma fuga para uma outra realidade, encontramos ela em pessoas que gostam de filmes, jogos, desenhos, tudo. Uma criança quando brinca com bonecos (a) ela se põe num mundo fantasioso de sua cabeça. Por mais que você esteja pensando “Ok, mas isso ainda assim não é o suficiente para me fazer acreditar que aquela é a realidade base. ”

Mas acredito que ao mesmo tempo que você pensou isso, deve ter lembrado de algum momento que estava lendo, jogando, assistindo filme ou qualquer outra atividade que por mais breve que fosse, você se sentiu estando naquele mundo, compartilhou emoções e sentimentos com ele. Vimos uma forma de embriagar sua realidade na série Westworld, onde as pessoas fujam de suas rotinas exaustivas para um parque temático e lá elas se tornam cowboys como uma liberdade absurda de fazer e ser o que quiser. Por mais que no início da “brincadeira” os convidados a todo momento param e reflitam que tudo aquilo não é real, como uma forma de estratégia do seu subconsciente para não cair naquele contexto e acabar abraçando aquele mundo como sua realidade.

O sonho é outro exemplo disso. Todos nós já tivemos a experiência de ter uma conexão tão forte com um sonho a ponto de achar que ele fosse real. Porém conseguimos distinguir o sonho da realidade porque acordamos. Mas e se não acordássemos, como saber o que é e o que não é real?

A necessidade de escapar de nossos momentos monótonos e depressivos da vida fez com que criássemos este tipo de entretenimento. O problema se agrava quando paramos de questionar o que é real e abraçamos qualquer possibilidade de “realidade” e, assim como Morpheus explica para Neo em Matrix (novamente), existem aqueles que estão tão imergentes naquela realidade, que por mais que eles não saibam que é tudo mentira, eles ainda assim, fariam de tudo para defende-la.

Temos também os problemas de estarmos numa realidade simulada: o que aconteceu para estar em uma? Como é o mundo real? E se for pior do que aqui? Eu fico ou eu saio? São tantos questionamentos, tantas teorias e conclusões, que poderia passar horas escrevendo e debatendo isso com vocês, caros leitores, porem paro aqui pra fazer uma pergunta a vocês:

E se estivermos vivendo em uma Realidade Simulada?

REALIDADE SIMULADA

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