Por que assistir Silicon Valley?

A HBO anunciou em novembro que uma de suas premiadas séries, “Silicon Valley”, só deve voltar ao ar em 2020, para a tristeza de quem acompanha o programa.

Mas quem ainda não conhece a história da “Pied Piper”, empresa fictícia criada pelo protagonista da série, pode aproveitar para maratonar os episódios enquanto há tempo.

Silicon Valley, até então com 5 temporadas, conta a saga de um grupo de programadores que tenta construir uma carreira bem sucedida no pólo tecnológico localizado no Vale do Silício, Califórnia.

Fui uma das pessoas que aproveitou um tempinho livre e maratonei tudo para contar aqui no Mundo Hype por quê você deve assistir também!

É muito inteligente

A história é assinada por Mike Judge, responsável por títulos como “Beavis e Butt-Head” e “South Park”. Por esse motivo é muito fácil atribuir à série uma expectativa maior quanto à inteligência nas abordagens feitas em seu roteiro: e ela é atendida.

Apesar de ser uma sitcom, Silicon Valley não é engraçada o tempo todo, e isso é algo bom. A série prioriza seu humor ácido e faz críticas a temas relevantes:

Richard Hendricks, Dinesh Chugtai, Bertram Gilfoyle, Jared Dunn e Elrich Bachman trabalham juntos na Pied Piper, uma empresa de tecnologia criada por Richard ainda em sua adolescência.

Durante todo o enredo Mike Judge mostra como o jovem sacrificou sua vida pessoal para seguir com esse projeto e fazer com que todo o seu futuro dependa disso.

Trata situações reais

Desde o início a Pied Piper é mencionada como algo inovador, que futuramente chega a ser comparada com uma invenção tão valiosa para a humanidade quanto os carros. (Saiba mais sobre a empresa em seu site oficial, em inglês.)

Tamanha característica faz com que todos no Vale do Silício queiram criar uma concorrente direta para a empresa ou algo ainda melhor.

A cada temporada esse é o elemento mais explorado pela série: como todos os investidores brigam pelas ações do promissor negócio, a ponto de tentarem sabotar o próprio fundador da Pied Piper a todo custo.

Toda a atenção na empresa faz com que seus criadores percebam mais e mais sua real magnitude e passem a valorizá-la como deveria.

O roteiro explora muito bem esse crescimento principalmente de Richard, que sabia o que estava sendo criado, mas não sabia como se posicionar no mercado e por essa razão se sujeitou a diversos obstáculos.

Richard enfrenta desafios para manter a Pied Piper de pé e se supera como CEO a cada episódio de Silicon Valley.

Silicon Valley explora ainda outros elementos muito significativos e problemas da geração da internet, mas que não limita a apenas aqueles que trabalham com tecnologia.

Relevância e relacionamentos pessoais

O fato de que Richard e seus amigos moram juntos, só falam de trabalho e tecnologia e só tem contato com pessoas do trabalho é um dos temas mais mencionados em todas as temporadas.

Existe até uma certa negação pessoal em cada personagem para aceitar que eles não têm amigos fora do trabalho e que seus colegas são seus amigos e as pessoas com quem se importam no dia-a-dia.

Richard, Gilfoyle, Dinesh, Jared e Elrich nem sabem muito bem como é se divertir sem ser com o sucesso profissional, mas ao mesmo tempo conseguem lidar com isso como se fosse algo normal.

Uma das consequências desse relacionamento e de “respirar trabalho”, é a falta de tempo para sequer aproveitar o dinheiro que ganham e falta de relacionamentos amorosos ou familiares, por exemplo.

Os personagens recebem muitos investimentos e devido às demandas do mercado todo esse dinheiro é sempre investido na própria empresa, assim como todo o seu tempo.

Desvalorização de jovens no mercado de trabalho

Mike tenta reforçar sempre que pode todo o esforço não reconhecido de Richard, um jovem de cerca de 30 anos, e como todo o sacrifício que ele faz pela Pied Piper é reduzido a um trabalho mecânico e desvalorizado.

Não há ao menos tempo para celebrar e enaltecer seu mérito e acaba passando despercebido por seus colegas e funcionários, o que lhe rende várias crises de ansiedade e pânico e paradas regulares ao hospital.

Os personagens trabalham por dias seguidos sem ao menos dormir em busca de entregar as exigências do mercado e dos investidores.

Consequentemente, os quatro personagens centrais da trama apenas seguem o fluxo das mudanças em suas vidas sem nem perceber quão poderosos são e sua relevância não só para a empresa que criaram, mas para o mundo e para o avanço tecnológico de forma geral.

A Pied Piper, criada por Richard, foi de uma empresa de garagem para uma das maiores e mais relevantes do mundo.

Gilfoyle e Dinesh são exemplos de uma amizade não convencional: são dois dos melhores programadores e codificadores do mundo e parecem só importar e reconhecer o trabalho que fazem nos momentos de rivalidade entre eles, que por sinal são os mais constantes alívios cômicos da série.

Fora isso, não percebem como são um modelo para outros profissionais na área e como são mais valiosos do que pensam.

Escravidão e avanços tecnológicos

Além dos jogos de poder, ego e competição exagerada – porém real – que são retratados em todas as temporadas, a quinta ainda trouxe um olhar especial para temas como o trabalho escravo e infantil na China e as ameaças que podem ser trazidas com a inteligência artificial. Um dos episódios chega a lembrar muito a trama de Black Mirror.

Outros temas apontados em Silicon Valley são como as pessoas não percebem a importância do gerenciamento de Jared e como todos os pequenos detalhes que são observados apenas por ele e seu instinto protetor são indispensáveis para o sucesso da Pied Piper.

A diferença cultural entre Estados Unidos e China e o racismo do Gilfoyle, além da crítica por trás do satanismo dele também são explorados em alguns episódios.

Jian Yang é o único personagem oriental da série e se sente discriminado por seus colegas de casa.

Silicon Valley, recomendada até por Bill Gates, é uma série que não deixa a desejar em nenhuma das críticas apresentadas e que, sem dúvidas, merece maior atenção vinda principalmente dos millennials, porque retrata de forma bem eficaz todas as cobranças e abusos profissionais sofridos por nossa geração.

Abusos e cobranças que tentam ser neutralizados pelas corporações mais poderosas ou até pelos próprios profissionais que acham que é normal passar por eles.

Concorda ou se interessou pela série? Conta pra gente nos comentários!

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