Entrevista com Luciano Cunha de ‘O Doutrinador’

Recentemente, o filme de O Doutrinador mostrou a força do personagem e de seu autor. Luciano Cunha criou o personagem frente à indignação a nossa política em 2008, a primeiro momento, após tentar em diversas editoras, e partiu para o independente em 2014 e o sucesso. A edição da HQ já chegou a 5ª edição, e a adaptação para a telona foi um sucesso tamanho de público e crítica, que já garantiu além de uma série animada na TV três spin-offs anunciados durante a CCXP 2018. Tudo isso dentro do universo de quadrinhos publicado pela editora Universo Guará, que tem a premissa de ser a casa das ideias brazucas. O ilustrador e roteirista, compartilhamos da mesma Rede Social desde 2014, quando conheci o seu Doutrinador e aceitou fazer essa entrevista para o Mundo Hype. Confiram, amigos e desde logo, agradeço, Luciano!

1. Luciano, pode se apresentar para o Mundo Hype?
Sou carioca, tenho 46 anos, tricolor doente, pai do Miguel e da Maria Flor, adoro minha família, amigos de infância, charutos e cerveja. Nerd velho, old school. Desenho desde que me conheço por gente e fui praticamente alfabetizado por quadrinhos.
2. Como surgiu seu interesse pelos quadrinhos? Quem foram/são suas influências? Você fez algum curso?
Surgiu desde que, aos 6 anos, meu pai comprou um gibi do Home Aranha pra mim. Lembro até da capa e da sensação ao segurar aquele portal para um mundo fantástico que a partir dali seria a paixão da minha vida. Minhas influências são muitas, muitas mesmo. Mas, se fosse imperativo escolher, Jack Kirby. Fiz um curso de quadrinhos quando tinha uns 12 anos, mas não lembro muito bem se fez diferença pra mim.
3. Como chegou ao O Doutrinador? Conte como foi o desenvolvimento do personagem e como se sente hoje, com todo o sucesso do filme, olhando para o início?
O Doutrinador é a minha revolta contra o sistema político brasileiro. Simples assim. Eu só queria colocar essa indignação pra fora. O desenvolvimento foi ocorrendo naturalmente, com os anos se passando e feedbacks das pessoas mais próximas e fãs. Eu nunca imaginava que isso tudo iria acontecer, não mesmo. Mas há aquele ditado: “A sorte tem que te encontrar trabalhando.” E eu trabalhei muito nos últimos 6 anos.
4. Qual a sua visão para o atual cenário dos quadrinhos nacionais?
Nunca tivemos tantos artistas sensacionais e tantas histórias boas. Mas ainda é o nicho do nicho do nicho. Duas razões principais para isso, ao meu ver: educação da população brasileira piorou muito, é ruim em todos os níveis. E a circulação de impressos é uma caixa preta. Há ainda o bloqueio natural de uma parte da molecada que acha que “Se é brasileiro, é ruim” mas isso vem diminuindo muito. Mas acredito demais no talento de nossos artistas, vamos vencer no final.
5. Fale um pouco sobre o Universo Guará? E quais são os seus próximos projetos?
A Guará é justamente a materialização dessa fé no brasileiro que falei na pergunta anterior. Nós, brasileiros, somos ótimos contadores de histórias, somos muito criativos. E temos excelentes desenhistas. A nossa missão é essa: contar boas histórias através de grandes artistas espalhados por todo o Brasil, como fizemos nestas 3 primeiras edições: Santo, Pérola e Os Desviantes. Acabamos de lançar esses personagens no Rio e em São Paulo e a recepção das pessoas foi a melhor possível. Modéstia a parte, as HQs estão ótimas e o acabamento do produto está de primeiríssimo nível. Nossos próximos passos são continuar com a expansão do universo até lançarmos novidades na CCXP, em dezembro. Estreamos também um programa de TV com dicas de cultura geek focadas em obras nacionais, o Cultura Pop Brasil, no Canal Like, 530 da NET, fiquem ligados nas nossas redes sociais.
6. Jogo Rápido
Um personagem nacional? O Doutrinador! Kkkkk. Sério, sem ser o meu, gosto do Necronauta.
Um personagem internacional? Caramba, são tantos… Homem Aranha e Surfista Prateado.
Uma HQ nacional? Antiga: Quebra-Queixo. Recente: Blue Jay Samurai.
Uma HQ internacional? Antiga: Cavaleiro das Trevas. Recente: Black Hammer.
7. Grato, Leonardo. Algumas dicas para quem está começando na arte.
Nunca desista! Tome minha trajetória como exemplo: comecei aos 16 anos, trabalhando com Ziraldo na revista do Menino Maluquinho. Hoje tenho 46… foram 30 anos trabalhando por um momento meu, por meu projeto autoral. Trabalhe duro e acredite no seu sonho. Abração a todos!
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