Conan, O Cimério.

“Saiba, ó príncipe, que entre os anos em que os mares engoliram a Atlântida e as cidades brilhantes, e os anos do surgimento dos Filhos de Aryas, houve uma era inimaginada, quando reinos esplendorosos se espalharam pelo mundo como mantos azuis sob as estrelas – Nemédia, Ophir, Britúnia, Hiperbórea; Zamora, com suas mulheres de cabelos negros e torres de mistério assombradas por aranhas; Zingara e sua nobreza; Koth, que fazia fronteira com as terras pastoris de Shem; Stygia, com suas tumbas guardadas por sombras; Hirkânia, cujos cavaleiros vestiam aço, seda e ouro. Porém, o reino mais orgulhoso do mundo era a Aquilônia, reinando suprema no oeste sonhador. Para cá veio Conan, o cimério de cabelos negros, olhar sombrio e espada na mão, um ladrão, saqueador e matador, com gigantescas melancolias e gigantesca alegria, para pisar os tronos adornados de jóias, da Terra, com seus pés calçados em sandálias”.

E é com essa citação das Crônicas Nemédias que começam as histórias de Conan, um bárbaro vindo da gelada Ciméria, para viver as mais fantásticas aventuras na cruel Era Hiboriana

Mas quem é esse personagem? O que são essas diversas aventuras? Qual a ordem para ler? E mais importante, valem a pena aquelas HQs caras?

Pensando nessas e em outras dúvidas o Mundo Hype resolveu trazer para vocês um texto introdutório ao personagem, que será dividido em cinco partes e postado semanalmente, sempre acompanhado de um review de matérias do Conan que podem ser encontrados nas livrarias.

Parte 1. PULPS

E para esse primeiro texto, vamos falar um pouco sobre o criador do personagem e também criador do gênero que mais tarde ficou conhecido como ESPADA E FEITIÇARIA (sword and sorcery), o gênio Robert E. Howard.

Robert Ervin Howard nasceu em 22 de Janeiro de 1906, no Texas. Leitor ávido desde muito novo começou a escrever profissionalmente aos 15 anos de idade e com 18 anos teve sua primeira história publicada pela revista de Pulps(revistas baratas que traziam diversos gêneros, responsáveis pela descoberta de grandes nomes da ficção cientifica e fantasia), Weird Tales, O conto Lança e Presa (Spear and Fang). Howard publicou contos de diversos tipos de gênero através dessa e de outras revistas, incluindo alguns de horror (inspirado por seu amigo e também escritor H.P Lovecraft), porém os que mais fizeram sucesso foram os de Espada e Feitiçaria.

Dentre suas criações famosas estavam o puritano Salomon Kane, o picto Bran Mak Morn e o atlante Kull. Howard escreveu uma história para Kull chamada Com este machado, eu governo! (By This Axe, I Rule!) e teve uma frustração muito grande quando o conto foi negado pela Weird Tales.

Reza a lenda que, em uma viagem pela fronteira do México, Howard vislumbrou e imaginou aquele que viria a ser seu maior sucesso e o maior bárbaro de todos os tempos. Ao chegar a sua casa pegou a maquina de escrever e começou a reescrever o conto Com Este Machado, Eu Governo, adicionando como plano de fundo uma era nomeada por ele de Hiboriana e trocando o protagonista Kull por aquele que ele havia imaginado. O Barbáro, Conan.

Com a história agora renomeada para A Fênix na Espada (The Phoenix on the Sword), e com um protagonista novo, a revista Weird Tales comprou o conto de Howard que foi lançado em Dezembro de 1932 e seu sucesso com o público foi imediato. Entre 1932 e 1936 a Weird Tales publicou dezessete contos e uma novela de Conan, e estes são tidos como os maiores clássicos da espada e feitiçaria já publicados.

Robert Howard vivia um momento de muita prosperidade, pois já não precisava possuir dois empregos, vendendo muitos contos de sucesso. Mas em 1936 e estado de saúde de sua mãe estava ruim e, em 11 de junho de 1936, ao ouvir de que sua mãe nunca sairia do coma em que se encontrava, ele caminhou até seu carro e disparou uma bala na própria cabeça.

Muitos de seus contos sobre Conan e outros personagens, ficaram inacabados ou não foram publicados, até serem adotados pelos escritores L Sprague de Camp e Lin Carter, que os terminaram e publicaram diversos contos de Conan.

Na próxima semana abordaremos o início das HQs, da audaciosa idéia de Roy Thomas até a gloriosa era Buscema.

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