Como salvar Arrow de si mesmo?

Depois de uma segunda temporada escorregadia em alguns pontos e uma terceira e quarta temporada completamente frustrantes, o que podemos fazer para salvar uma série com tanto potencial como Arrow, da DC e CW?

Primeiro, temos que ser justos e dizer que a primeira temporada foi muito bem feita e recebida pelo público. Mas talvez, seja este sucesso que complicou a vida da própria série. Com uma história densa, porém muito bem trabalhada, com ação e suspense trabalhados em igual medida e pegando muitas referências do arco Arqueiro Verde Ano Um, com um novo ator (muitos queriam o mesmo ator que apareceu em Smallville), explorando um novo universo (sem ligações com o cinema) e apresentando novos vilões, a série foi um grande triunfo da Dc Comics na TV. Mas então, acharam que o herói tinha potencial para ser o Batman daquele universo… E então tudo se complica.

Ignorando o crescimento de personalidade do personagem em se tornar o Arqueiro Verde, que bebe muito da fonte de Robin Hood, para se adensar ainda mais no abismo de vingança e morte e se tornar um vigilante sombrio e realista enfrentando vilões igualmente traumatizados e ainda mais ensandecidos, como Exterminador, adiciona uma morte de parente, e pronto. Receita feita.

O plano era brilhante, mas por que falhou? Alguns personagens tiveram que girar em torno de uma atuação cinza e emburrada de Steven Amell, desperdiçando o carisma natural do ator – que já foi provada em redes sociais – e de outros personagens que eram queridos na primeira temporada como Diggle e Felicity Smoak, para serem mais sombrios e trágicos. Alguns pontos do roteiro também se perderam em meio a este tom e, apesar de introduzir alguns razoáveis personagens como Canário Negro, um final quase desanimador, veio a terceira temporada e com ela a novela.

Oliver Queen finalmente se junta à Felicity Smoak e viram um casal que teria tudo para ser bem quisto pelos fãs, até que isso se tornou chato e irrelevante. Apesar de todos os acontecimentos familiares e a introdução de Ra’s Al Ghul e seu Poço de Lázaro, e mergulhando ainda mais no sobrenatural com a quarta temporada envolvendo Damian Darhk, e uma Felicity “Oráculo”, a série não evoluiu muito e continuou insistindo no mesmo tom que não deu certo antes. E após vir uma enxurrada de novos vigilantes, agora teremos dezenas deles na quinta temporada.

Ao pertencerem ao mesmo universo, o Flashpoint causado pelo Flash no final de sua segunda temporada encheu os fiéis fãs de Arrow de uma mudança de essência na série, ainda mais com um bom episódio situado no futuro da série em Legends of Tomorrow. Porém, pelos teasers divulgados, não veremos nada disso. Uma nova equipe de vigilantes está sendo formada pelo Prefeito Oliver Queen, que agora se chama de Arqueiro Verde, mesmo ainda não tendo o que necessita para ser ele. E o vilão urbano Prometheus vem com mais couro preto e flechas nesta temporada, com mais uma tentativa de manchar o símbolo do arqueiro na cidade.

Tudo isso está parecendo seis por meia dúzia, mesmo chutando o lado sobrenatural de lado. O que a série precisa não é de mais vigilantes ou de mais ou menos romance, caminhando em meio a neblina sem saber se é uma série teen ou sombria. O que ela precisa é terminar de montar o caráter do Arqueiro Verde, aquele dos quadrinhos ou de animações, que contém humor porém é sério. Onde tudo ocorre de maneira natural e não se força a achar os seus trilhos, pois eles aparecem espontaneamente em sua frente.

E de modo geral, a série precisa assumir a sua identidade mais otimista para começo de conversa, como a DC nos cinemas está tentando fazer com Geoff Johns no comando, dando mais cor a este universo. Arrow necessita de mais cor. Mudar o seu nome para Green Arrow de vez e seguir um novo rumo, com as suas reviravoltas específicas mas com o herói peitando quem estiver andando fora da linha, como ele faz nos quadrinhos e animações com quem quer que seja. Trazendo reflexões ou agilizando ainda mais as tramas.

Será que a trama da CW irá se encontrar e essa terá força para a mudança? São questionamentos que nós, fãs, só podemos jogar ao vento e esperar que ele traga bons frutos.

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