Como a Ficção Científica moldou a cultura Pop?

Como a cultura pop aprendeu a amar a bomba atômica

Quando pensamos em como a ficção científica mudou o mundo rapidamente nos lembramos de duas coisas distintas: a primeira é em como os Gadgets que aparecem nestas obras influenciam invenções no mundo real e a segunda é de como obras como estas podem influenciar pessoas a serem cientistas (como já falei em posts anteriores, as duas maiores inspirações para que este que vos escreve virar um químico formado foram Reed Richards do Quarteto Fantástico e o filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau). Mas este não é o foco principal deste post.

 

É claro que se formos analisar, a cultura pop foi sim alterada tanto por produtos que foram inspirados em Star Treks, 2001 ou Battlestar Galactica, como satélites artificiais, Tablets, Google Glass ou comunicação por vídeo tiveram um impacto avassalador na própria raça humana, e claro que todos os cientistas que hoje trabalham na Nasa inspirados pelas aventuras do Capitão Kirk estão a cada dia lançando novas luzes quanto ao nosso lugar no universo, mas há ainda um outro aspecto, que é inerente tanto para cientistas quanto para Nerds, que é a verdadeira razão de viver para este gênero: A questão de você se entregar de corpo e alma para entender um aspecto não comum do nosso dia-a-dia.

 

Explico: Um nerd de verdade é um cara que quando se depara com algo novo e que chama sua atenção busca entender completamente aquele aspecto. O cientista faz o mesmo ao se deparar com um fenômeno físico, químico ou biológico. e a magia da ficção científica está de unir estes dois grupos em uma história, e com isso dar à cultura pop um aspecto que hoje a define: lançar ao expectador dúvidas e deixar com que eles vão atrás de novas informações para assim debater a história.

 

Um exemplo disso é o caso dos monstros: Enquanto na fantasia estes seres vem de uma fonte mágica, portanto não precisa ser explicada, na ficção científica os monstros devem não só ter um motivo plausível para existir, como sua anatomia em que ser funcional. Existem filmes que não dão ao expectador estas respostas de maneira direta, como é o caso de Alien, e outros que isso é a razão de existir da obra, como o Monstro de Frankenstein, mas em ambos os casos os nerds aprenderam a olhar e debater sobre isso. O alien é bípede? Qual a razão disso? Será que ele ficou assim por ter sido encubado em um corpo humano? E qual a razão do raio que dá vida ao monstro? Seria uma forma de forçar os neurônios a se comunicarem ou seria um metáfora ao poder divino de Deus (neste caso em específico, Zeus)? Seja qual for, com certeza há mais do que debater do que sobre um Beholder, por exemplo.

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Não me entenda mal, a fantasia também moldou a cultura pop ao dar a ela o poder de pensar e analisar elementos mágicos e o que eles nos representam, mas foi a ficção científica que deu aos nerds sua faceta crítica e altamente analítica daquilo que nos é mostrado. O Predador virou um ícone na cultura pop por que seu design não só é muito legal, mas porque é crível acreditar que um ser assim viva em algum planeta, bem como suas motivações, que podem ser facilmente comparadas com as dos caçadores que vão à África matar por diversão. Quando isso não acontece, como no caso dos engenheiros de Prometheus, eles são facilmente esquecidos.

 

Outra importante marca que a ficção científica deixou na humanidade vem quando ela imagina o futuro com base naquilo que está acontecendo hoje. Seja o futuro de megalópolis engolidas pela globalização e sem identidade própria constantemente lavadas pela chuva ácida de Blade Runner, Seja o deserto onde impera a sobrevivência de quem tem combustível de Mad Max ou mesmo o futuro em que deixamos de lado nossos preconceitos e nos unimos em prol do conhecimento em Star Trek, a cultura pop aprendeu a entender que o que seremos no futuro nada mais é do que o reflexo do que é hoje. Isso é uma ferramenta poderosa para tentar fazer com que paremos de fazer as imbecilidades que fazemos hoje se quisermos que nossos filhos vivam de maneira minimamente digna.

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Quando pensamos em Star Wars, vemos que ele é um ponto fora da curva porque ele se mistura com facilidade entre os gêneros de fantasia e ficção científica (na minha opinião ele pertence aos dois, há muitos que não pensam assim, mas eu respeito as opiniões). Se não há muito sentido na figura de Jabba the Hutt, podemos traçar um paralelo entre a figura do império com uma ditadura militar, um regime que foi instaurado pelas forças bélicas dizendo ser uma defesa contra uma camada da sociedade que sofria de preconceito por muitos, e de como este preconceito virou ódio e o ódio virou poder. Muito mais do que a Millenium Falcon e sabres de Luz, acredito que esta mensagem seja o verdadeiro legado que esta obra nos deixa neste dia da toalha.

 

A boa ficção científica é aquela que usa de seus conceitos que podem vir a ser realidade para nos mostrar os erros de nossas vidas atuais, a cultura pop idolatra estes conceitos e simbolismos como uma forma de perpetuar estas mensagens e fazer com que elas não sejam relevantes apenas há muito, muito tempo em uma galáxia muito, muito distante…

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