A eterna luta entre os saudosistas e a nova geração de Hollywood

             Todo ano é a mesma coisa: chega dezembro e dezenas de mídias ligadas ao cinema começam a lançar suas listas de Melhores Filmes do Ano. Muito mais do que apenas um “resumão” para aqueles que não querem perder seu tempo com filmes de qualidade duvidosa e querem partir logo para a nata da produção cinematográfica, estas listas servem para tecer alguns comentários sobre o que foi produzido no ano. Neste contexto, podemos fazer uma boa análise desta arte que tanto amamos, analisando simplesmente o ‘Top 20’ recém publicado da revista inglesa Sight & Sound:

1. The Assassin (Hou Hsiao-Hsien) 
2. Carol (Todd Haynes) 
3. Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller) 
4. As Mil e Uma Noites (Miguel Gomes) 
5. Cemetery of Splendour (Apichatpong Weerasethakul) 
6. No Home Movie (Chantal Akerman) 
7. 45 Years (Andrew Haigh) 
8. Son of Saul (Laszlo Nemes) 
9. Amy (Asif Kapadia) 
10. Vício Inerente (Paul Thomas Anderson) 
11. Anomalisa (Charlie Kaufman and Duke Johnson) 
12. A Corrente do Mal (David Robert Mitchell) 
13. Phoenix (Christian Petzold) 
14. Girlhood (Céline Sciamma) 
15. Hard to Be a God (Aleksei German) 
16. Divertida Mente (Pete Docter) 
17. Tangerine (Sean Baker) 
18. Taxi Teerã (Jafar Pahani) 
19. Cavalo Dinheiro (Pedro Costa) 
20. The Look of Silence (Joshua Oppenheimer)
             Não vem ao caso deste pequeno texto esmiuçar o que fez de cada um destes filmes merecedores de sua posição, mas sim, apenas dissertar sobre uma pequena incongruência que ocorre hoje: A filosofia de que não se faz mais filmes bons em Hollywood (filosofia esta da qual, hoje em dia, tudo é filme de super herói e pipoca, ou seja, de que filme pipoca é filme ruim).
             Mad Max de George Miller é um exemplo excelente. Ele em tudo se encaixa como blockbuster: cenas de ação arrebatadoras, uma história facilmente entendível para qualquer um que assista e alívios cômicos para lembrar ao expectador de que estamos assistindo um filme. Entretanto, ele está na terceira posição da lista. Por que?
             Muito mais do que apenas ser um filme dirigido com a paixão de quem realmente ama o que está fazendo, muito mais do que um subtexto carregado de ideias que pregam a igualdade entre os sexos, muito mais do que um filme que monta uma mitologia gigantesca com pequenos relances e objetos de cena, Mad Max conseguiu ser espetacular e “espetaculoso” ao mesmo tempo. O mesmo se aplica a outro blockbuster Hollywoodiano Divertida Mente, maravilhosa animação da Pixar (bem vindo de volta Pixar, continue assim!) que soube, ao mesmo tempo, ser engraçado e emocionante.
Sight & Sound
             Tal equilíbrio que estes dois filmes alcançaram pode indicar uma evolução, um amadurecimento, da fórmula do “cinema pipoca americano”, inventado por George Lucas e Steven Spielberg, com os filmes Star Wars e Tubarão. Filmes estes que, finalmente, conseguem ser profundos e, ao mesmo tempo, divertidos o suficiente para se pagarem. Esta tendência de “filmes pops” – que são muito mais que efeitos visuais – vem de muito tempo, mas talvez seu ponto fora da curva tenha sido os 11 Oscars de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Frente a tudo isso, cada vez mais cai por terra o discurso saudosista de que os melhores filmes são os filmes das décadas de 70 e 80. Porém, isso também não significa que os filmes de hoje são melhores que os clássicos De Volta Para o Futuro ou O Clube dos Cinco, por exemplo. Única e exclusivamente, quer dizer que a linguagem cinematográfica mudou, mas a qualidade e a relevância continuam a mesma, é só saber onde procurar.
             Enfim, este foi só um desabafo de minha parte sobre este “complexo de vira-lata” vs. “complexo de superioridade tecnológica” em que algumas pessoas têm, por desmerecer filmes recentes e antigos, respectivamente. Apenas digo: abra a sua mente, pois existe espaço o bastante para entender aquilo que é bom, assim como também o que foi bom.
2015

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