Review | A Morte de um Escritor, de Hakan Nesser

Existe um gênero literário chamado Thriller Existencialista??

A morte de um escritor de Hakan Nesser lançado  no Brasil pela Editora Verus parte de uma sinopse interessante, mas se perde em sua tentativa de ser sofisticado.

David é sueco e tradutor.

Ewa, sua mulher, desapareceu há três anos, após avisa-lo que ia troca-lo pelo amante.

De repente ele está ouvindo uma gravação de um concerto de musica clássica e consegue perceber na gravação, uma tosse na plateia  que ele tem certeza ser de Ewa (Dá para acreditar nisso? Um mocinho sensitivo ou ouvidos biônicos?).

Pesquisando o local da apresentação ele descobre que tal concerto aconteceu em Amsterdã e decidi ir até lá para encontra-la.

Ao mesmo tempo, um amigo editor o chama e informa que acaba de receber um manuscrito de um autor cujos livros David havia traduzido do holandês para o sueco.

Porém, desta vez os manuscritos vieram direto do escritor com uma carta, que pedia que ele fosse traduzido e publicado primeiro no exterior, e somente depois em sua língua pátria.

O editor procura o escritor para conversar sobre aquelas clausulas estranhas, mas ele está desaparecido. E logo descobre que ele se suicidou.

Mas será?

Meu Deus do céu, que livro é este!

A sinopse diz que nada é o que parece.

Eu digo que não se parece com nada.

Após o sucesso de Stieg Larsson, tornou-se praxe nas editoras buscarem autores de thrillers nórdicos. Mas nem sempre os resultados são bons.

Acho que Hakan Nesser, o autor de A Morte de um Escritor, deve ter criado um novo gênero: Thriller existencialista.

Dá até para imaginar um filme, com um ator bem blasé, segurando um copo de Whisky numa mão e uma piteira na outra, e sentado na frente de uma lareira, com um paletó xadrez de lã inglesa e um cachorro chique aos pés ou uma gata angorá com cara de nojo, olhando os alpes pela lareira ou um mar gelado com uma praia vazia. Minutos e minutos de pura contemplação. A câmera vagueia. Ao fundo uma musica clássica. Tipico filme cabeça europeu.

Acho que em algum lugar do mundo os direitos deste livro estavam sendo dados de graça. E pelo que parece não foram só deste volume, pois vem mais por ai, já que é uma série e no fim do livro a Editora Verus já promete que lançará os outros.

Mas me pergunto o que despertou o interesse da editora neste livro?

Imagino que seja porque estão fazendo um filme, que provavelmente será melhor que os livros. Falei acima em ator blasé, mas pelo que pude descobrir o filme será estrelado pelo grande Ben Kingsley (Gandhi)

A não ser que o diretor também resolva fazer um thriller existencialista cheio de takes longos contemplativos mostrando os Alpes ou a praia gelada com as ondas batendo.

Lembro-me de estar a 63 % da leitura e nada acontecia.

Desculpe o linguajar inapropriado para uma resenha, mas o autor é um verdadeiro empata foda. Quando achamos que vai começar a ação, ele para tudo e muda de assunto.  Como se ao haver ação na estoria tornasse seu livro menos intelectual e respeitável.

Imagina a cena: você recebe um livro inédito de um escritor que acabou de se matar e pede para aquilo ser traduzido em segredo.  Qualquer ser humano normal o que faria?

Leria o livro em uma noite!!!

O que nosso “herói blase” faz?

Vai lendo aos poucos e traduzindo durante seis meses como se fosse um misero trabalho banal!

E a parte em que ele descobre as cartas no jardim? É um desrespeito ao leitor. 45 % de leitura neste ponto sem nada acontecer, fulano teve que alugar um carro para ir até o local, passou horas no frio esperando. Ai quando pega as cartas decide que vai ler depois. Como assim? Depois quando, oh criatura de Deus?!!

E isso que ele já desconfiava do conteúdo comprometedor daquelas cartas.

Na verdade se você espremer A Morte de um Escritor ele até tem uma estória um pouco legal, mas é muito mal escrito.

Fiquei mal acostumado com thrillers, pois eles têm um estilo que já é conhecido de nós leitores. Tanto que ultimamente tem sido até difícil ser surpreendido, pois é como se existisse uma fórmula, seguida inclusive pelos autores gelados da Europa do Norte.

Porém este autor foge completamente desta fórmula e isso me fez ficar perdido na leitura, sem saber que tipo de livro eu estava lendo.

A edição que li em e-book também não ajuda em nada, pois muda de tempo de narração sem nenhum aviso prévio ou marcação gráfica.

Mas fui teimoso e cheguei ao fim e posso dizer que é sim um suspense, mas completamente diferente de tudo que já li. E neste caso isso não é um elogio, pois em A Morte de um Escritor,  deixar de seguir a fórmula tornou a leitura do livro maçante.

O autor não termina nenhum capitulo com um gancho para o próximo e o plot twist só acontece nas ultimas 15 paginas, e mesmo assim deixa diversas pontas soltas, além de muito Whisky e cigarros.

O que aconteceu em Graues? Como o detetive encontrou aquela mulher? Como que nosso “mocinho” nunca procurou o terapeuta? Como que ele foi parar naquela ilha? Como alguém se mata com uma caneta?

Aparentemente eu perdi todas estas respostas e duvido que um segundo livro as traga, pois a impressão que eu tive é que o autor já estava cansado da sua própria estória.

O bom é que o livro é curto.

Vá por sua conta e risco, e se encontrar respostas para as diversas perguntas desta resenha, volte aqui para me contar por favor.

E você. já leu este livro ou algum outro deste autor? O que achou?

Curte thrillers de escritores nórdicos? Qual seu favorito?

Vamos conversar nos comentários

E Não se esqueça que temos muitas outras indicações, clique aqui e conheça um pouco mais.

E Curta o Site Mundo Hype nas redes sociais, compartilhe com amigos e continue por aqui.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here