Review | A Corrente, de Adrian McKinty

Você seria capaz de manter esta corrente?

A Corrente de Adrian McKinty é o livro mais comentado deste segundo semestre de 2019.

Lançado pela Editora Record na Bienal do Rio de Janeiro e com uma grande campanha de marketing, vem despertando a curiosidade de todos os leitores devido a sua sinopse completamente original.

“Vítima.

Sobrevivente.

Sequestrador.

Criminoso.

Você vai se tornar cada um deles.”

Mas o livro atende a todo o hype criado?

Na opinião deste humilde leitor sim, pois para mim a leitura deste livro representou horas de tensão e de torcida, como se eu estivesse assistindo um filme no cinema e torcendo para que os personagens conseguissem se salvar.

O marketing da editora vende A Corrente como um thriller, um gênero que vem crescendo em vendas no Brasil, e que consiste em livros onde o final do mesmo apresenta uma virada que deixa o leitor de queixo caído. Normalmente houve um crime e somente no final descobrimos a identidade do assassino.

Aqui a situação é um pouco diferente e acho que a expectativa dos leitores em buscar mais um livro assim vem frustrando um pouco algumas pessoas.

Aqui a pegada é outra.  Porém, longe disso ser um problema.

O livro é dividido em duas partes.

Na primeira parte entendemos o mecanismo da  Corrente e é impossível não se arrepiar com o que acontece ali e não se colocar no lugar dos personagens.

Você tem filhos pequenos?

Então esta leitura vai mexer com você.

Até onde você iria para salvar seu filho?

Quão animalesco o homem se torna quando se sente ameaçado?

A Corrente é uma das coisas mais psicopatas que já foi imaginada por alguém.

Logo no primeiro capitulo, Raquel, uma mulher divorciada que acaba de descobrir que o câncer que tinha tratado com quimioterapia está voltando a agir, recebe uma ligação de uma mulher lhe informando que sequestrou sua filha.

Como a mulher diz:

Lembre-se não é pelo dinheiro, é pela Corrente.

Mas se Raquel deseja ver sua filha novamente, deverá sim pagar um resgate em Bitcoins, o que acaba sendo a parte fácil do sequestro, pois, além disso, A Corrente pede uma segunda parte: Raquel precisa sequestrar uma nova criança, e na sequencia convencer  os pais desta criança para que façam o mesmo e o ciclo da Corrente continue.

Se Raquel sequestrar uma criança, o filho dos sequestradores de sua filha será liberado.  Se os pais da criança que ela sequestrar, sequestrarem uma nova criança, a sua filha poderá ser liberada.

Qualquer um que queira furar este esquema sofrerá as consequências da Corrente, que tudo sabe, que tudo vê.

Parece ridículo escrevendo assim?

Mas te garanto que não é. É extremamente tenso.

Por mais que Rachel se esforce em cumprir o que a desesperada mãe que sequestrou sua filha lhe pede, nada garante que sequestrando uma criança, sua filha voltará, pois isso só ocorre se a próxima família tiver a mesma coragem que ela em realizar ato tão hediondo.

Esta primeira parte do livro é sensacional, pois passamos o tempo todo achando que algum elo da corrente vai se quebrar.

De repente, um problema que parecia insolúvel é resolvido, e ai você se pergunta: Mais já? Achei que o autor só resolveria isso mais a frente!

Mas Adrian McKinty  é cruel e tem muita lenha para queimar, então aquela sua alegria por ter acompanhado a resolução do problema logo desaparecerá, pois o autor vai trazer um outro desafio maior ainda para os personagens e assim vamos seguindo tensos sem conseguir largar o livro.

Os criadores da Corrente simplesmente não sujam suas mãos, e usando o amor de um pai por um filho, vão convencendo as pessoas a fazerem coisas completamente hediondas, como sequestro, roubo e até assassinato.

Mas depois temos a segunda parte, onde as pessoas precisam lidar com as consequências de seus atos, e ai fica a pergunta:  Como seguir com uma vida normal??  É possível realmente sair da Corrente, ou uma vez dentro, ficará sempre preso a eles, já que somente eles sabem o que você foi capaz de fazer?

Raquel não aceita isso, e sabe que aquilo precisa terminar.

Ai vem a grande diferença do livro.

Diferente dos thrillers onde queremos saber quem é o assassino, aqui o autor logo deixa claro quem são os cabeças da Corrente, e prepare-se para ficar com muita raiva.

Mas como assim um thriller onde no meio do livro o autor revela quem é o criminoso?

Este na verdade é mais um grande lance deste livro, pois ao invés de a informação tornar o livro desinteressante, isso só aumenta nossa apreensão, pois os vilões deste livro são muito vilões, e parece impossível que nossos personagens “do bem”  consigam vencer tamanha força e organização “do mal”.

E então, lá está você, leitor, pego novamente, torcendo para que nossos mocinhos consigam perceber o que está acontecendo e realmente consigam quebrar esta maldita corrente.

E você só consegue fechar o livro na ultima pagina e quase sem folego.

Ok, esta segunda parte é mais fraca do que a primeira, pois existem muitas coincidências típicas de roteiros de filme americano, mas sua raiva daquela gente já está tão grande que você aceita. Eu pelo menos aceitei e me diverti bastante.

Além de todo este sentimento de montanha russa trazido pelo livro, ele ainda consegue discutir muitos assuntos pertinentes e atuais. Sem levantar bandeiras ele nos faz pensar sobre a vida quase escancarada que levamos nas redes sociais, sobre a facilidade com que aquilo que chamamos de moral pode ser mudado, sobre dependências de drogas e sobre o poder da culpa no ser humano.

Verifique sua pressão e embarque nesta leitura.

Vai valer a pena.

E você, gosta de livros de suspense? Qual seu livro favorito?

Já leu A Corrente? O que achou? Seria capaz de manter A Corrente para salvar seu filho? Acredita que a moral do ser humano mude quando ele se sente ameaçado?

Vamos conversar nos comentários.

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